9.25.2003
O Mundo é uma Bola

Quando eu era pequeno, minha mãe assistiu a uma partida de futebol de salão mirim transmitida por um desses canais meia-boca que não têm programação. Boquiaberta diante do inédito, minha mãe imaginou seu guri correndo de um lado para o outro pelo campo de Cascolac, satisfeito da vida, como todo garoto saudável de sete anos.

Dias depois, o fatal aconteceu. "Ah, meus meninos treinam futebol no time do Nacional, aqui pertinho!", dizia minha tia Dora numa conversa familiar. Sem mais delongas, fui convidado para entrar no time. Um garoto nessa idade não tem mesmo muita voz ativa. Aceitei.

Eu sou o maior perna de pau pra jogar bola. Acontece que eu preciso de um certo tempo para pensar antes de agir e no futebol é tudo muito rápido. Sou do tipo que senta, olha pro céu, respira e age. No futebol tudo isso teria que acontecer em dois afobados segundos, sujeito a apito insistente por parte do juíz desesperado.

Hoje eu vejo como nosso país cultua o futebol como a própria vida. É verdade que eu deveria, por um lado, valorizar esse esporte que leva o nome do Brasil para o exterior. Porém, não gosto que um país todo seja condensado numa única descrição: o país do futebol.

Talvez esteja na hora do nosso povo reconhecer outras qualidades que andam ofuscadas por esse comércio que é o futebol hoje em dia. Ou talvez seja a hora de um certo cidadão de dezoito anos tomar vergonha na cara e começar a praticar esportes ao invés de escrever sobre lamentos cotidianos!